Vestidos e sapatos – II

Deixa eu comentar uma coisa sobre o post de ontem (e desviar o assunto um pouco).
Mari, eu digo que a Arezzo não é marca de luxo pq quando eu morava aí (há anos!!) os sapatos eram caros mas não eram destinados à classe A (isso vindo de uma amiga que trabalhava no marketing da Arezzo). Mas eu concordo com vc quando diz que uma loja que vende uma rasteirinha besta por 180 reais não é para qualquer um (eu sou uma que não poderia comprar sempre!).
E essa é exatamente a minha questão … como que uma loja destinada para classe B e C foca em valores acima de 150 reais mínimo??!!
Esquecemos a Arezzo agora, pensemos na loja FULANA que abriu em um bairro do município de Cariacica (Mari, vc conhece o lugar … talvez até a loja, depois te falo o nome).
Cariacica é um município pobre. Não significa que todas as pessoas que moram no município são pobres!!! O bairro de Campo Grande é bem conhecido e tem várias lojinhas legais. Eu morava lá (pq era perto do trabalho dos meus pais), tenho vários amigos ricos (mesmo!) que moram lá, MAS 90% da população desse bairro é de classe C e D.
A loja FULANA é de uma amiga da minha mãe, começou pequena (muito pequena) e não vendia marcas. Cresceu um pouquinho e começou a desenvolver sua própria marca para roupas e passou a vender bolsas e sapatos de couro –de marcas desconhecidas-. Ano passado eu fui lá visitar e a loja está ENORME, linda e super moderna. Não combina com o bairro, mas parece estar indo bem.
Não deu nem 5 minutos e eu já estava me entregando de amores por uma bolsa vermelho sangue que estava lá me paquerando. A dona da loja veio me vender a bolsa … e eu vi o preço: 480 reais.
Eu fiquei branca na hora!!! Pq é como a Mari disse no comentário dela … uma DKNY aqui custa 150/200 euros (uma de tamanho médio)!!!!!!!!!!! Uma Dona Karan for christ’s sake!!!!!!!!
Como que pode uma bolsa zé ninguém (mas linda) nesse bairro está custando quase 500 reais??????
A dona da loja, vendo meu espanto, me disse que dividia e aquelas estórias. Eu disse que não (nessa hora eu atingi tons inacreditáveis de vermelho por causa da vergonha). Fomos pra casa.
No carro eu comentei com mamãe sobre isso e mostrei minha indignação. Como que uma loja dessa sobrevive???!!!!
Mamãe me respondeu com toda sua mentalidade brasileira (não estou julgando!!!): “mas filha, eles dividem até em 4 vezes!!!”.

E é essa a mentalidade … é caro, mas dá pra dividir.
Eu acho que dá certo, se vc tiver controle total sobre suas finanças. Eu, morando no Brasil, era hopeless. Não tinha nada nesse mundo que me fizesse enxergar que o cheque especial não era extensão do meu salário!
Mesmo que eu tentasse não entrar no cheque especial, naquela época do mês em que não sobra mais muito dinheiro, eu começava a pensar: “ah mas o gerente fofo do banco me deu xxxx de cheque especial … então tem dinheiro na conta”.
No dia que íamos mudar pra Bélgica, Mick me deu 100 reais para cobrir minha conta CASO PRECISASSE e encerrá-la. Ele quase enfartou (e quase me estrangulou) quando eu contei que 100 reais não iria cobrir quase nada do meu saldo negativo por causa do bendito do cheque especial.
Mick não foi criado assim (crédito aqui é algo MUITO recente e nada popular), ele nunca entendeu o pq de vc comprar uma coisa para a qual não tem dinheiro. Se eu comprava uma coisa dividida, ele me dava um sermão enorme. Para ele, se eu quiser a bolsa de 500 reais, eu posso comprar, mas tenho que pagar ali na hora. Se não tiver o dinheiro … pech/too bad/azar. Eu que economize nos próximos meses. Para ele, a inconstância dos próximos meses é apavorante quando vc já assumiu dívidas desnecessárias. Ele não entende o raciocínio em dividir várias coisas por meses, somando um total mensal que é 70% do seu salário … e se vc perder seu emprego? E se algo inesperado acontecer? Etc etc.
Depois de passar perrengue aqui e ter que esperar ter o dinheiro para comprar item X, eu aprendi a viver sem o cheque especial e sem as parcelas e, considerando a vida que eu vivia no Brasil, eu não entendo como que uma pessoa, que ganha 1000 reais por mês, compra uma bolsa de 480 … mesmo dividindo em 4 vezes, vc ainda tem uma dívida de pouco mais de 10% do seu salário durante quatro meses por causa de UMA bolsa!!! Para mim, não funciona (logo logo minha dívida das parcelas chegam ao meu salário total e eu ainda acho que estou bem!), funciona muito bem para minha melhor amiga e para mais um monte de gente, mas eu me recuso a acreditar que eu sou um caso único.

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5 comentários sobre “Vestidos e sapatos – II

  1. Oi Fee, pode até parecer estranho mas eu só fui uma vez e já faz muito tempo em Campo Grande. Fui com a minha mãe, quando eu tinha uns 13 anos na loja que na época era ponta da estoque da Surreal. Nessa época eu adorava as roupas de lá e fomos comprar umas coisinhas na loja mas não conheço nada de Campo Grande e de Cariacica. Mas se a loja for famosa e tiver em VV ou Vix talvez eu conheça. Também acho que os preços aqui estão sem noção e é o que a sua mãe falou, caro tudo está mas como se divide em 4, 5, 6 x sem juros pessoas de classe mais baixa compram. É por isso que o Brasil está tão endividado e tem tanta gente aqui com o nome sujo, pois compram e não podem pagar. Eu me acostumei com o jeito holandês e concordo que se deve comprar quando se pode. Todo mundo nos olha meio estranho e insistem que a gente pague dividido (ás vezes até irrita) e eu e o Barry rimos ás vezes. Todo mundo é tão acostumado a comprar dividido que eles acham estranho quando não se divide… e Deus que me livre depender de cheque especial, os juros estão tão altos que é preferível pagar o juros de uma conta atrasada do que entrar no cheque especial. E se prepare pois cada vez que você vier ao Brasil verá como as coisas encareceram… a sua sorte é que cartão internacional não divide! hahahaha Senão do jeito que vc não se segura você ficaria pobre em cada uma das suas visitas ao Brasil. Beijão

  2. Oi Fee! O meu marido (belga) e igual ao Mick! Ha uns anos atras quando fomos ao Brasil e compramos um monte de roupas (hoje em dia tudo muito caro, nao compramos mais nada) ficamos ultra felizes com o desconto por pagar a vista e um desconto extra por pagarmos cash. Aqui nos States e uma comedia: eles tem este sistema de credit history para incitar a galera a gastar: quanto mais vc gasta e paga em dia tuas contas, melhor o teu nome na praca (alguem que paga tudo a vista vai ter um score terrivel porque nunca se endivida). A quantidade de ofertas de cartoes de credito que ja recebemos tb e comica: no comeco nos recusavam a todo momento porque nao tinhamos o tal do credit history. Beijocas

  3. Fe, concordo com o seu pensamento.
    Mesmo quando eu vivia no Brasil eu não usava cheque especial, não gostava de ver o vermelho no extrato bancário, sempre vivi com o que podia e foram raras as vezes que precisei deste tipo de crédito, mas com problemas de saúde.
    Mas isso é cultural, aqui nos EUA este tipo de crédito também não é comom (pelo menos não era). Se voce quer o sapato, paga na hora o valor integral, no máximo em 30 dias se você usar o cartão fidelidade da loja.
    É como a história dos centavos, enquanto que no Brasil as pessoas deixam para lá, ou o caixa de pergunta se pode pagar em bala ou ficar devendo, aqui não tem disso, cada centava é precioso.
    É saber valorizar seu dinheiro, e isto está sendo ótimo viver aqui. Da última vez que estive no Brasil arrumei briga com uma caixa de supermercado, pq fiquei esperando meus 10 centavos de troco e ela nao tinha. Ela ficou furiosa comigo, mas eu não desisti, o troco era meu e eu tinha direito a ele.
    Sou pão dura? não, dinheiro não dá em árvore.
    bjks

  4. Eh fogo neh? No Brasil tbem eh um tal de me falar que dah para dividir,e tc, etc, ateh cansa 🙂

    bjs

  5. Também não acho Arezzo marca de luxo, é uma marca boa, com ótimos designs, e que sempre custou um pouco mais. Não sei se 250 reais numa sandália continua “um pouco mais em relação às outras coisas, pois faz 6 anos que saí do Brasil e não faço compras quando vou pra lá. Só sei que na semana que me mudei pra Holanda, há 6 anos, paguei 80 reais numa Arezzo, preço normal, sem promoção. E paguei 90 numa calça Forum, sem promoção. Não sei qual a relação entre uma e outra agora, ou se tudo ficou mais caro mesmo. Só sei que como assalariada dava pra comprar umas duas ou três Arezzos por estação, sem parcelar, e um Jimmy Choo preciso é de todos os salários de uma estação pra pagar um par.

    E comprei roupas no Brasil só da primeira vez que fui, e me arrependi amargamente. Mesmo as mais caras encolheram na lavaroupa e secadora, ou eram muito “frescas” pros verões daqui, acabava usando mesmo uma ou duas vezes por ano quando ía pra alguma praia de férias.

    Mas no fim, pra mim é meio questão de filosofia, minha vida agora é aqui, tenho que me adaptar às coisas daqui. Compro sim uma coisinha ou outra que aqui é considerando diferente e exótico, assim como trago coisas diferente e exóticas de cada lugar que visito, mas fazer compras de roupas do dia-a-dia, isso eu não faço.

    E olha, quanto aos vestidinhos, tenho visto muitos bem bonitinhos em lojas como a Steps, Didi, Superstar, e de preços ótimos. Vestidinhos de verão são coisas nas quais não se adianta investir muito, ano que vem já vai estar fora de moda, ou você vai estar louca por outros. Deixo pra investir minha “grana de roupa” em peças mais chaves e mais usadas, tipo um bom casaco, uma boa bota, e aí é melhor comprar por aqui mesmo.

    Em SP, essas marcas européias, Zara e Mango por exemplo, estavam caras mesmo, mas acho meio besteira sair da Europa pra comprar roupa européia no Brasil. Mas vi algumas roupas brasileiras muito legais de preços acessíveis. Vi muito vestidinho longo, decotão bonito, em lojas boas, por 150 reais, que é um preço bom ( 50 euros! ).

    Beijos

    Dri

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