A arte de ser brasileira…

Eu ia postar sobre um assunto na semana passada mas estava esperando passar a irritação …
Acho que na quarta-feira passada Mick me ligou aqui no escritório para dizer que precisava me contar uma coisa durante o horário de almoço e terminou a ligação com “vc tá famosa hein”.
Cara, foram duas horas onde tuuuuuuuuuuudo que é possível passou pela minha cabeça (baseada no “vc tá famosa hein”), com exceção daquilo que ele iria me contar:
Uma amiga da “assistente” do Mick já morou no Brasil com o marido (ambos belgas – e eu não sei o motivo pelo qual eles moraram lá) e agora, com o aniversário de 40 anos do marido se aproximando, ela está planejando uma festa abrasileirada, com muita caipirinha, música brasileira e comidas típicas. E, para fechar com chave de ouro, ela queria UMA brasileira (leia-se uma brasileira qualquer) para fazer caipirinha. As exigências são que a pessoa seja brasileira e que passe a noite falando português (independente de a pessoa dominar o holandês ou não).
A assistente do Mick pensou em mim e Mick veio me falar para saber se eu queria o trabalho.
Bixowwwwwwwwwww, eu não sei se eu fiquei mais p*ta pq Mick ainda não tinha dado um corte na assistente dele, ou pq a assistente dele (com quem eu vou almoçar de vez em quando) tinha pensado em mim!
Eu ODEIO generalizações desse tipo: ah, ela é brasileira, deve ser bonita, faz caipirinha bem, sabe sambar e vai querer ficar aqui se exibindo.
Pra começo de conversa que eu nem sei fazer caipirinha bem (à isso, Mick respondeu que eles queriam uma brasileira lá só para ter uma brasileira, a parte de fazer caipirinha nem era tão importante).
Meu, ele tá com problema de cabeça, só pode!!!!
Eu fiquei mais p*ta ainda e falei para ele avisar para a assistente dele que eu agradecia pelo convite mas, como eu ainda não tinha virado macaco de circo, eu não ia em merda de festa nenhuma!
O mais engraçado é ver Mick, e o resto da belgaiada que já sabia do convite, ofendidos pq eu não quis ir!!
Vai se lascar, né?!
Pra começo de conversa, eu não preciso do dinheiro (graças a Deus!), segundo que eu não sei fazer uma caipirinha decente (se fosse assim ia rolar happy hour lá em casa todos os dias!) e terceiro que eu me recuso a ficar igual a uma demente sorrindo e falando em português com um monte de gente que não entende metade daquilo que eu tô falando (principalmente pq eu falo holandês!!!!).
Mick disse que é exagero meu, que o convite havia sido feito com respeito e talz … mas eu tô puta até hoje. Mais puta ainda com ele … sei lá, impressão de que eu estou sendo vendida ou algo do tipo (e pra quem conhece Mick sabe que ele é MUITO ciumento, o que torna essa estória ainda mais estranha).

Eu sei que tem muita gente que imigrou pra cá e que ganha a vida com a sua nacionalidade. Acho que muitos de nós usam isso à nosso favor de uma forma ou de outra (ex: eu sempre subi mais rápido em empresas aqui pq eu conheço o mercado brasileiro e tenho bons contatos por lá ainda), e eu não julgo uma pessoa que queira sair dançando numa festa semi-nua em pleno inverno … cada um com seu cada um. Mas passa dos meus limites quando alguém faz uma menção desse tipo como se toda brasileira fosse sambista, como se toda brasileira fosse ficar super a vontade numa festa onde ela é a atração principal só por estar falando uma língua estrangeira (sem contar a escrutinização das línguas invejosas que sempre soltam algo do tipo: “ah eu achei que brasileiras tivessem mais estilo corpão” – pq eu já disse que eu sou alta e meio magrela – ou a reação dos homens quando percebem que vc não vai dar em cima deles!).
Irritante!

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10 comentários sobre “A arte de ser brasileira…

  1. Menina, como vc tá irritada!! Ahahaha! Mick doido de te irritar assim, hein!
    Mas eu entendo, essa generalização é uó… esses dias conheci a irmã de uma amiga minha polaca e ela me perguntou de onde eu era… eu disse Brasil e ela “nossa, mas vc é tão branquinha”… Mano, sério, dá raiva. Tem que respirar fundo e dizer “é que no Brasil não tem só mulata, sabe…”
    Beijoca

    • meu, no meu caso só falta neguinho me mandar dar uma voltinha de 360° pra ver se eles acham as coxas e a bunda de alguma rainha de bateria que eles viram na televisão! hahahahahaha
      E deixa Mick que ele ainda não escutou o fim dessa estória!! hehehe

  2. hahaha comigo tb, imagine baixinha, branca e sardenta… uma vez um amigo do david disse “mas eu achei que ela fosse negra, que nem aquelas mulheres do carnaval”… eu engoli seco e respondi “claro, fico neguinha no verão… e ando de fio dental, salto alto e peitinhos de fora, mas aqui não dá, é muito frio” hauahauauahauah

  3. Fee, tb teria ficado super irritada com essa estória. Pelo menos você recusou a proposta de forma educada e garanto que deve ter calado a boca dos colegas do Mick que acham que toda brasileira é igual as mulatas que desfilam no carnaval do Rio. Ohhh povinho sem noção, hein? Eu tb não sou a típica brasileira e graças a Deus nunca passei por uma dessas, mas já me confundiram com turca e aí eu fiquei P da vida. Beijão e puxa mesmo a orelha do marido (tb por mim).

  4. Esse assunto é mesmo polemico para nós brasileiras que temos os nossos princípios aqui na Europa, é um trabalho árduo e constante ter que educar esse povo por aqui. Sabemos que tem muita brasileira por aqui que vendem essa imagem de ser muito oferecida e o resto do mundo generaliza.

    Eu sou casada com um inglês e acho que ele jamais toparia isso tb, mas acredito que se ele viesse com essa historia eu iria ficar muito decepcionada. Afinal a gente trabalha mais que o pessoal daqui (acho porque a gente quer provar que somos inteligentes tb) e estudamos (eu estou me especializando na área de International Business e tb conheço muitas que estão na faculdade fazendo mestrado e ate doutorado), enquanto que o pessoal daqui não quer nem saber de estudar, cuidamos da casa como nenhuma européia, organizamos as nossas finanças, nos inteiramos em relação à política, algumas de nós temos filhos e cuidamos deles muito bem (vou dizer aqui que nem todas), mas no geral sim, e por ai vai…muitas e muitas coisas que fazemos para provar o nosso valor que sabemos que temos. Então o meu conselho para vc é, não esquenta muito não, faça de conta que a assistente do seu marido estava fazendo uma brincadeira. Se ele falar alguma coisa apenas diga: eu pensei que ela estava brincando, melhor ela perguntar para outra pessoa, pois não sei fazer caipirinha e não quero falar Português à noite inteira.
    Abraços

  5. Eu ODEIO eesses tipos…..quando eu morava nos EUA era a mesma coisa…minha host aodorava falar dos biquinis brasileiros…eu morri de raiva…como se o tamanho do biquini fosse dizer quem somos….ahhhhhhhhhhhhhhh!!!Eu matava o Mick tb!!!kkkkkkk!!!

  6. Fica triste não, eu também já tive muita raiva por causa disso. Pq pensam que brasileiras são prostitutas, ou andam nuas, ou no Rio de Janeiro, nas praias, só tem macaco, jacaré e índio, pode?
    Um me perguntou se eu andava pelada no Rio de Janeiro também. Como assim também?
    Talvez por sermos expontâneos, brincalhões, risonhos e temos um jogo de cintura enorme, talvez por isso achem que gostamos de fazer qualquer coisa.
    Um pouco de bom senso não faria mal a ninguém não é?
    bjks

  7. Ai eu iria ficar mto p da vida tb !!!!

  8. Já vi que a coisa ficou feia pro lado do Mick – rsrsrsrsr
    Realmente nada ver esse convite, fala sério 😦

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