Conhecendo a Bélgica – a bicicleta

Não é novidade que, em alguns países da Europa, a cultura de andar de bicicleta é bem forte.
Na Holanda e na Bélgica, a bicicleta é, em muitos casos, o meio de transporte mais comum (se não o mais importante).

contem as bicicletas

Na Bélgica (não sei se na Holanda é a mesma coisa), o esporte nacional é o ciclismo; os programas de final de semana na primavera/verão geralmente incluem bicicletas (pedalar em parques e pela cidade são as coisas mais comuns por aqui nos meses de calor e sol até tarde).
Adolescentes vão e voltam da escola com suas bicicletas todos os dias durante todo o ano letivo (= frio!); muitas pessoas que moram no centro das cidades (como nós) preferem ir para o trabalho de bicicleta (eu até entendo que é legal e talz, mas sério tem gente que vai trabalhar de bicicleta mesmo nos dias congelantes!!! Sem contar os 300 dias de chuva!); bicicletas são equipadas com os mais diversos tipos de bugingangas práticas desde sacola para carregar compras de feira/supermercado até um carrinho de madeira para carregar as crianças sentadas:

essas bolsa existem em todos os estilos, desde rosa colorida feita de um material plástico, até essas mais esportivas para trekking

acho que nesse carrinho cabem duas crianças pequenas sentadas

Praticamente todas as ruas oferecem faixa única para ciclistas e, quando essas não existem, os ciclistas podem circular na faixa para carros.

Ciclistas têm prioridade no trânsito (só devem parar para ônibus, bondes e pedestres), e podem circular pelas ruas até mesmo em pares (duas bicicletas lado a lado).
Não se pode buzinar para ciclistas, não se pode ultrapassar ciclistas de forma que ofereça o mínimo perigo à eles, não se pode “cortar” ciclistas no trânsito e a regra de trânsito que diz que “quem vem da via da direita sempre tem prioridade” vale ao dobro para ciclistas: eles podem vir de qualquer direção e terão prioridade.
Outra coisa que facilita muito a vida das pessoas é que a Bélgica é um país com mais de 80% de território plano. Nas regiões mais irregulares ou de “montanhas” não se vê tantas bicicletas quanto na Antuérpia, por exemplo.

As crianças aprendem a andar de bicicleta bem cedo. Rafa é um caso típico nesse assunto: ganhou a primeira bicicleta de verdade pouco antes dos três anos e agora, aos 4 anos e 2 meses, está aprendendo a pedalar sem as rodinhas de apoio.
Hoje eu já me acostumei, mas achava engraçadíssimo a quantidade de bicicletas mini que ficavam estacionadas na frente da escola da Rafa. Ultimamente a avó dela tem ido buscá-la na escola na hora do almoço e, quando ela volta pra escola para o turno da tarde, ela vai de bicicleta.
Nesse final de semana, aproveitamos o sol e o calor para levá-la para andar de bicicleta na rua atrás da casa da avó dela = rua da escola (eu moro no centro da cidade, não rola de encontrar uma rua sossegada pra Rafa pedalar a vontade).

* eu não ando de bicicleta então só posso comentar a partir do ponto de vista de motorista: eu acho uma puta falta de educação duas pessoas estarem andando de bicicleta uma do lado da outra e causando um mini engarrafamento!! *

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9 comentários sobre “Conhecendo a Bélgica – a bicicleta

  1. Nossa aqui na Holanda eh a mesma coisa, no comeco tb estranhei mas ja peguei o jeito! Acho muito engracado essa coisa de colocar a criancada dentro da “caixa” acoplada na bike e sair por ai hihi! me empolguei e vou fazer um post sobre bikes na Holanda =)

  2. Desculpe. Sou ciclista. Puta falta de educação é um cara com um motor embaixo dele, poluindo, ocupando o espaço que é de todos (lembrando o jargão “o carro é seu a rua é de todos”) achar que a prioridade é dos motorizados. Numa boa, quem causa engarrafamentos são os veículos, não as bicicletas! Também acho uma puta falta de educação motoristas que tiram finas de mim, não deixam o espaço da direira para que eu possa transitar, andam em altas velocidades em vias urbanas, políticas públicas que excluem a outros modais de transporte que não seja o carro. O que falta no Brasil não é o que você chama de cultura da bicicleta, pois isso não é cultural, é racional! Cultura é MPB, queijo minas, boi-bumba. O que falta no Brasil é educação mesmo.

    • Ei André.
      Eu não acho que a rua é só de quem tem carro e, concordo contigo, é uma puta falta de educação um cara tirar fino de ciclista (da mesma forma que tirar fino de pedestre é uma puta falta de educação). Mas ainda acho que é uma falta de educação ter dois ciclistas lado a lado, batendo papo e pedalando como se não existisse um mini engarrafamento atrás deles (simplesmente pq não é sempre que pode se ultrapassar um ciclista … depende da largura da rua e talz).
      Acho extremamente perigoso e ridículo um cara com o carro tentar ultrapassar ciclistas quando não é nem necessário (as vezes é só esperar um pouco e o ciclista volta para a calçada ou a via dele), mas existem casos e casos. E, principalmente na primavera/verão, se vê muitos ciclistas passeando, rindo e batendo papo com o colega que está ao seu lado.
      Acho que educação e consideração tem que vir dos dois lados. Pq por exemplo, vc sabia que ciclistas aqui não dão prioridade a pedestres?! Mesmo os pedestres sendo idosos, grávidas, pais com crianças ou crianças?!
      A resposta deles é sempre “é muito desgastante ter que parar a bike toda hora que um pedestre está atravesando a rua”. Será que isso é justo?
      No Brasil realmente falta educação no trânsito, mas essa “educação européia” é um assunto complicado pq eu acredito que europeu aprendeu a ser educado quando sentiu na carteira o peso da sua falta de consciência para com o próximo (ex.: se vc buzinar para um ciclista e ele se assustar e cair, vc paga uma multa de 200 euros e deve cobrir todos os custos eventuais do ciclista).
      E finalmente, eu chamo isso de cultura pq uma das definições de cultura é exatamente “o conjunto de manifestações comportamentais de um povo ou civilização” :o).

  3. Tenho que concordar um pouco com o André. Não tenho bike (ainda), mas acho uma civilidade como o ciclista é tratado por aqui. Nunca observei ou fui “destratada” por um ciclista. Mas eu acho que dois cicilistas conversando no trânsito não devem causar engarrafamentos “gigantes”, coisa que em 2 minutinhos depois volta ao normal.
    Agora que o europeu “aprendeu” a ser educado pondo a mão no bolso, disso não tenho dúvida, aqui TUDO tem seu preço…hehehe.
    Abraços!!

    • Ei Sandra!
      Eu tb acho legal e super positivo o respeito que é dedicado ao ciclista por aqui. Eu não sou ciclista, mas tenho uma filha de 4 anos que vai de bicicleta pra escola, por mais que ela só tenha que pedalar até a rua de trás, eu não deixaria que ela fizesse isso se não tivesse certeza que ela está segura.
      Mas ainda assim acho que algumas coisas são excessivas. É verdade, um mini engarrafamento causado por bikes não é o fim do mundo, geralmente dura dois minutos como vc disse. Mas são dois minutos dirigindo a menos do que 20km/h e às vezes vc está atrasada para alguma coisa, ou simplesmente precisa chegar logo para onde está indo.
      Não quero vitimizar motoristas pq realmente não é o fim do mundo. Mas ainda assim eu acho irritante e acho falta de respeito achar que todo mundo deve seguir o seu ritmo quando tudo que vc tem que fazer é chegar um pouco pro lado e dar espaço (é o que eu faria no lugar deles … é o que eu faço quando estou com meu carro e vejo que alguém quer me ultrapassar, ou quando estou a pé na calçada e vejo que um ciclista quer me passar).
      E putz, legal que aí ciclistas respeitam pedestres!!! Aqui a estória é um pouco diferente, mas tb não é tão dramático.
      Abraços e bom findi!!!

  4. Pingback: Bélgica paga para cidadão ir de bicicleta ao trabalho « Vi na Internet

  5. Adorei o post! Sei que é antigo, mas acho que vale comentar e dizer que foi divertido e informativo de ler! Curti muito!!!
    Morei na Holanda e agora amo mais ainda andar de bike do que amava antes de ir pra lá… lá andava pra todo canto.

    Beijos!!!

  6. Olá Fernanda, vc ainda está na Bélgica?

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